quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Júpiter deu lambidas de céu e terra. De resto, poeira estelar.
Assim juntaram tótens ao tic-tac da selva. Humano do tempo cria controlar.
Ao cúmulo de anseios. Acúmulos de nós.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

terça-feira, 13 de maio de 2008

terra cristal

A mulher sentada




Mulher. Mulher e pombos.
Mulher entre sonhos.
Nuvens nos seus olhos?
Nuvens sobre os cabelos.

(A visita espera na sala;
a notícia, no telefone;
a morte cresce na hora;
a primavera, além da janela).

Mulher sentada. Tranquila
na sala, como se voasse.




João Cabral de Melo Neto

sexta-feira, 9 de maio de 2008

conheci todos os desertos..




Conheci todos os desertos coisificados dele.
As tempestades de areia em espera vazia.
Soterrada num sol infinito a brilhar de mim. Só de mim.

Não sei um quanto disso refletia no amorno passo queima pés. Em abrir o mesmo caminho e insistir horizonte fechado.

Alucinei todo delírio possível.
De hidratar o gasto, lamber molhado espaço, arder semente em flor.

Até que a trégua, em sopro laço, rompesse o seco em ponderado. Dissipasse o querer contrário ao que se foi.
Acalentando em instante, a dor de se viver ainda o estaque.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

enquanto a vida quiser.



Sobre aquilo que você me perguntou, resposta, de fato, não há.
Que não distorça, retorça, ou minta.
Minha voz é parte do teu ouvido quando a resposta sai bem.

Sobre aquilo de te ter ou não só para mim.
De viver ou não grudados pra todo sempre.
Talvez, isso também, não bem te responda mais.

Meu viver é parte do teu viver enquanto a vida quiser.
Meu viver é parte do teu viver.

Ao pisar na poça, a lua inteira se despedaça, os cacos pela calçada.
Ao voltar as costas, meu mundo inteiro entrou nas botas.
Daí eu cai na estrada.


- Os The Darma Lóvers - Desapego -